Prazer, Casa 08

Prazer, Casa 08

um filme de Ekatala Keller

Uma cineasta e astróloga, inspirada na intimidade do prazer, desvenda a natureza humana através de depoimentos e histórias reais, com base no mapa astral. 

O filme revela que, independente das particularidades de cada um, todos nós queremos a mesma coisa: amar e ser amado. Desejar e ser desejado. 

Prazer, quem é você?

Na Mídia

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O seu palco é uma poltrona, onde as pessoas falam de dor e de delícias, como em um divã da psicoterapia. Astrologia, arte, sexo, bullying, autoestima, perdas, ganhos… Prazer, Casa 08, da cineasta Ekatala Keller. Veja o filme e, depois, reflita sobre seus anseios e preconceitos e resolva isso de uma vez por todas!

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Premissa

Fui prazerosamente incumbido de elaborar um texto de apresentação ao documentário Prazer, Casa 8.

 

Iniciarei, psicanaliticamente, com recurso à temporalidade do “a posteriori” freudiano, na qual um evento anterior é ressignificado à luz de eventos posteriores. Dentre a sequência das várias narrativas cênicas que compõem Prazer, Casa 8, destaco o relato final da diretora do documentário, Ekatala Keller, abordando uma violência sexual sofrida no auge de sua adolescência. Com uma estética que se assemelha a Jogo de cena, do cineasta Eduardo Coutinho, as narrativas cênicas de Prazer, Casa 8 são construídas como verdades com estrutura de ficção, causando um impasse no espectador. A verdade e a ficção parecem enodar-se como a topologia de uma fita de Moebius, sem dentro nem fora, sem início nem fim, cujos limites são borrados em um esforço de poesia narrativo. Se analisadas retrospectivamente, à luz do último relato, as narrativas anteriores parecem tentar contornar o real traumático atrelado à sexualidade humana.

 

Para o ser humano, estruturalmente, não há conforto em se tratando do sexual. É famoso o axioma do psicanalista francês Jacques Lacan: “Não há relação sexual” (Il n’y a pas des rapport sexuel). Isso significa que, para o ser de linguagem, não há instinto (inscrição prévia) que conduza ao parceiro e que garanta a relação sexual; assim como o gozo sexual é marcado pelo impasse de não acessar ao Outro sexuado. Só se goza sozinho, como bem afirma um dos personagens entrevistados do documentário. Se, por um lado, a sexualidade na espécie humana é marcada pela impossibilidade, sendo fonte de mal-estar generalizado, por outro, é justamente isso que possibilita a nós, seres falantes, a liberdade de fazermos o que bem entendermos com ela – cuja diversidade o filme ilustra e vivifica. E é precisamente a liberdade o mote do filme, como assinala a diretora que sintetiza essa sua obra como a ousadia de se ter liberdade.

 

À moda do filósofo francês Jean-Paul Sartre, o documentário Prazer, Casa 8 não vitimiza seus personagens, cristalizando-os em lugares de fala estanques; em vez de discorrer em tom ressentido sobre o que fizeram dos personagens, aborda-se potentemente o que cada personagem fez com o que fizeram deles. E assim, para além dos rótulos anacrônicos atrelados a códigos heteronormativos (bissexual, puta, transgênero, gay, drag etc.), cada personagem fala a partir de sua própria prática de gozo, no intuito de contornar o real do impossível da relação sexual que afeta a todos indistintamente. Falar de seu modo de gozo é condição indispensável a experiências transformadoras, que o documentário visa a abordar.

 

Se, como é dito em Prazer, Casa 8, a cor do prazer é vermelha, talvez não seja por acaso que o personagem drag queen que abre e encerra a sequência de convidados entrevistados se chame Magenta. Eis o pedestal a partir do qual ele se ergue para se fazer belo - “escabelo”, aggiornamento lacaniano da “sublimação” freudiana. Resta saber: seriam os psicanalistas lacanianos suficientemente queer estando à altura do real em jogo nas soluções queer? É esse tipo de escuta suficientemente queer que Prazer, Casa 8 nos proporciona. Um convite à diversidade como “obra aberta”.

Rogério Paes Henriques

Psicanalista, escritor e professor universitário. Amante de cinema e literatura.

Glossário 

Prazer, Casa 08

 

  1. Amor - Amor.

  2. Artista - A pessoa que nasce com alma criativa e dotada de sensibilidade.

  3. Bissexuais - Pessoas que se sentem atraídas sexual e naturalmente com os seus e também com os opostos biológicos.

  4. Cinema - Um portal democrático que desperta diálogos e sensações. 

  5. Corpo - O espaço físico onde a vida e o sagrado se manifestam; O real perfeito por si mesmo. 

  6. Drag Queen - A performance artística em forma de conexão e luz.   

  7. Dominação/Submissão - Diferentes formas de trocar prazer com regras e limites. 

  8. Gordofobia - A forma mais atrasada de toda a ignorância.

  9. Heterossexuais - Pessoas que se sentem atraídas sexual e naturalmente com os seus opostos biológicos.

  10. Homossexuais - Pessoas que se sentem atraídas sexual e naturalmente com os seus semelhantes biológicos.

  11. Idade - O tempo contado em anos.

  12. Julgamento - A forma de ver no outro o que está reprimido dentro de si mesmo. 

  13. Júpiter - A cor do prazer; A cor da morte; A cor do orgasmo.

  14. Lua - Espelhos de faces e culpas; Existência em canção.

  15. Mãe - Aquela que dá a vida; Que honra e respeita todos os seres.

  16. Mapa astral - Um desenho no céu do instante em que você nasceu celebrando as suas infinitas possibilidades. 

  17. Marte - O sêmen em riste do sol. 

  18. Mercúrio - A melodia original na expressão de cada um. 

  19. Netuno - A nudez de todos os medos.

  20. Pai - Aquele que cuida; Que honra e respeita todos os seres.

  21. Prazer - O encontro com o divino.

  22. Plutão - O morrer e renascer em ciclos terrenos; Começo, meio e fim.

  23. Quíron - A expressão das almas sábias e luminosas.

  24. Saturno - A existência de Deus em corpo, tempo e espaço.

  25. Sexo- Portal por onde a vida consciente individual escolhe os seus momentos e os seus parceiros; Formas variadas de se encantar, amar e se divertir.

  26. Sol - A unidade que nos integra.

  27. Transsexuais- Pessoas que se transformam a partir do espelho da alma; Que reconhecem a identidade do coração.

  28. Teatro - O palco da vida.

  29. Urano - Raízes e Asas.

  30. Velhice - O tempo de experimentar novos sonhos e recontar a própria história.

  31. Vênus - Cio, sina, sangue.

  32. Vida - Berço sagrado em corpo vivo.

Colaboradores
Professor Carlos Alberto Serpa
Leandro Bellini

 

Música 
Federico Puppi
‘’O Silêncio da Neve’’
‘’Pequena Música Para Um Grande Momento’’

 

Poemas
Ekatala Keller

 

Poema “TransOração”
Cena Final | Magenta Dawning

 

Dança e Coreografia
Phelipe Alves
“Uma dança para Urano”

 

Artistas Convidados
Magenta - Plutão
Pedro Saeys - Sol
Dany Stenzel - Mercúrio
Amanda Azevedo - Vênus
Cláudio Serra - Marte
Jacyara de Carvalho  - Júpiter 
Renato Barreto - Saturno 
Elvira Helena - Lua
Well Glisotte - Quíron
Chris Penna - Netuno


Entrevistados
Nicollas Forte
Bel Mota
Marco Bravo
Dani Balbi
Paulo César de Gouvea 
Moira Braga
Dani Lima
Bruno Henríquez
Ekatala Keller

 

Roteiro e Direção 
Ekatala Keller

 

Fotografia 
Alexandre Devananda
Lucas Zaquine 

 

Arte
Ekatala Keller
Ass. Amanda Azevedo
Ass. Matheus Oliveira

 

Som 
César Pezzi 
Ass. Matheus Oliveira


Apoio de Set
Amanda Azevedo
Matheus Oliveira
Vitor Valadão

 

Câmera de apoio
Bruna Mello
Vitor Valadão

 
Montagem
Matheus Oliveira
Ekatala Keller


Cor 
Christian Tonasse


Mixagem de som
Estúdio Munganga
Tiago Picado

© 2019 por Devananda
Ipanema - RJ

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